«Convergir na recepção», 13/06/08
June 23, 2008
May 6, 2008
March 24, 2008
A rádio em 2018 - A rádio informativa: passiva e activa
Meios & Publicidade, 14 de Março de 2008
«Basicamente, iremos ter consumo passivo em três situações:
- falta de ligação (temporária ou permanente, sobretudo em zonas mais pobres) à Internet;
- vontade de ouvir sem agir (e tanto pode ser por via hertziana, enquanto esta se mantiver, como via Internet);
- a rádio de palavra, sobretudo de informação. É sobre ela a crónica de hoje.»
March 17, 2008
January 31, 2008
«A rádio em 2018 - Os conteúdos multimédia»
Meios & Publicidade, 18 de Janeiro de 2008
(Inicio, neste segundo ano de colaboração com a Meios & Publicidade, uma série de 12 artigos temáticos sobre o futuro da rádio, a que dei o título genérico de «A rádio em 2018», daqui a 10 anos, portanto; a necessidade de ser curto e a própria exigência do texto jornalístico impedirão em muitos casos a fundamentação de algumas informações, primeiro passo para se confundirem com futurologia; da mesma forma, 10 anos é apenas um pretexto para a arrumação das ideias - mas uma coisa é certa, a rádio, tal como a conhecemos hoje, provavelmente já não existirá em 2018; espero demonstrá-lo ao longo das tais 12 crónicas)
December 3, 2007
November 6, 2007
«Podcasting sem podcasts?»
Texto do catálogo do Festival Black & White, Porto, Abril 2007
«Há muita gente desiludida com o podcasting, como que dando razão aos que, mal a técnica surgiu, prenunciaram a sua morte.
Os que estão desiludidos convocam estudos, relatórios e a própria experiência para dizer que o podcasting não descola e que continua minoritário, que não encontrou uma forma de se viabilizar comercialmente, que a qualidade dos programas não aumentou e não se registaram significativas evoluções técnicas. A desilusão será provavelmente proporcional ao entusiasmo inicial, o que só mostra que quando falamos de novas técnicas e de novas tecnologias é prudente alguma ponderação e que alguma reserva nas previsões é uma regra de bom senso.
De qualquer forma, a existir desilusão será quando muito com os podcasts e não ao podcasting. Quem imaginava que a rede se iria encher de novos programas de áudio de elevada qualidade, que o desânimo não daria lugar ao entusiasmo inicial dos autores e que surgiriam todos os dias excelentes revelações estará desiludido. Os podcasts que conhecemos não são isso nem podiam ser. Essencialmente porque estamos a falar de algo muito recente, que pressupõe – apesar de tudo – o domínio de alguma técnica (que – é verdade – não se simplificou) e realizados ainda numa perspectiva amadora. São assim muito dos podcasts que conhecemos. Engraçados, muitas vezes esforçados, mas sem uma clara mais-valia face a uma concorrência que, na própria Internet, faz nascer todos os dias milhares de conteúdos – sendo que o tempo disponível para consumir esses conteúdos continua a ser o mesmo (este tem sido um factor muito pouco estudado, mas não pode continuar a ser negligenciado: a ideia de «concorrência» não é mais a mesma, já não são apenas os 50 ou 100 canais no cabo, são os milhões de páginas na Internet, os milhares de canais de áudio também na net, os milhões de músicas para descarregamento; a concorrência não é apenas quantitativa, mas, com tanta oferta, também qualitativa).
Neste contexto, os podcasts devem pensar que lugar podem ocupar, para que servem, quem os está a ouvir. Claro que continuará a haver, sempre, quem os faça por amor à causa, por mais egoísta ou saudável que ela seja, e alguns podem até ser muito bons, mas poucos deixarão de ser claramente minoritários.
Em contrapartida o podcasting é uma técnica claramente de futuro. O podcasting como técnica de redistribuição de conteúdos (áudio ou vídeo) que não podemos ou não temos de ouvir no momento em que são disponibilizados. E rádios e televisões já começaram a perceber isso mesmo. Claro que ainda se colocam problemas de alegada concorrência com a emissão original, sobretudo ao nível do contacto com o patrocinador, mas não só se trata de uma questão mental (geracional?) como o cada vez maior contacto com os programas enviados por podcasting fará mudar o paradigma. E então teremos podcasting não apenas de programas mas também de notícias, de modo a que se concretizará, de alguma forma, o sonho de Bertold Brecht: o receptor não será mais o sujeito passivo da comunicação, mas aquele que escolhe o que quer ver e ouvir, o que constrói o seu próprio noticiário, o que intervém.
Com o podcasting, com este ou outro nome, com esta ou outra forma de eu poder escolher o que quero ver e ouvir»
Mais, sobre este assunto, aqui.
«A rádio em 2015 será uma página na net»
Publicado no Meios & Publicidade, 2/11/07
«Nesta altura, em diversos países, investigadores e representantes da indústria questionam-se sobre como será a rádio daqui a dez ou 15 anos. Existem mesmo projectos que têm o nome dos anos da projecção, 2012, 2015 ou 2020.
Como será a rádio em 2015?
Os alicerces da futurologia estão derrubados desde que a Internet se consolidou – a Internet foi o meio de comunicação mais rápido da história a atingir a barreira dos 50 milhões de consumidores. E já não há mais previsões tranquilas.
Há novas formas de emissão, novas formas de criar conteúdos, há novas formas de recepção, há novas formas de interagir com o emissor. Há uns anos uma pesquisadora brasileira escrevia que a Internet é o FM do século XXI. A questão é que, até à Internet, as poucas invenções que ajudaram a rádio influenciavam ou a emissão ou a recepção. A Internet muda tudo. Tudo junto – muda a rádio.
Há uns dias uma agência de informação de Nova Iorque anunciava que «Cada estação de rádio pode transformar-se numa estação de televisão», dando um sinal sobre algo que aqui tenho falado: a introdução de conteúdos primários, como o vídeo, deixou de ser exclusivo dos canais de televisão e está ao alcance de todos os operadores com ambição na comunicação. O Público não anunciou recentemente o aparecimento (ainda que tímido) de vídeo na sua página?
Mas não é essa a minha previsão: nem as rádios se vão transformar em televisões nem as televisões continuarão a sê-lo exclusivamente.
Serão necessários outros nomes (as gerações mais novas terão uma ideia muito diferente do que são os meios clássicos) e há que contar com múltiplos desenvolvimentos tecnológicos, provavelmente imprevisíveis, mas acredito que a rádio do futuro será sobretudo uma página na Internet (o mais parecido com aquilo que hoje chamamos de portal).
As páginas na Internet não serão todas iguais – e ainda bem. Se a emissão hertziana da rádio ainda for viável comercialmente, poderá haver aquilo a que nos EUA chamam de simulcasting; da mesma forma, os actuais canais de televisão poderão tentar tirar partido dessa emissão, em simultâneo com múltiplos canais de vídeo na Internet (emitindo em tempo real ou baseados em arquivos). Também os jornais poderão tentar tirar partido no sector em que são melhores, em que dominam o know how. Mas um jornal, independentemente da edição em papel – cada vez mais rara e, portanto, comercialmente inviável -, será uma página na net, com som, com vídeo, com arquivos, com ferramentas de personalização e potenciadoras de feed back.
Tudo estará na net, a começar pelos investimentos e a acabar nos consumidores, passando pela publicidade.
Ainda se chamará rádio? Mesmo sendo muito diferente daquilo que hoje conhecemos como rádio, ainda se continuará a chamar, provavelmente por inércia geracional. Mas a transformação será tão radical que novos conceitos irão aparecer; a mim, sobre isso, ninguém me ouvirá dar um palpite…
Estamos preparados em Portugal? Estamos – parece, finalmente – a acordar. As recentes notícias do grupo Renascença dando conta do lançamento de canais temáticos on line são um exemplo; mas são precisos mais investimentos nas páginas na Internet – com novos e diversos conteúdos, aumentando a capacidade de escolha e de personalização, facilitando a visualização e o interface com os consumidores. Nem sequer estamos a falar de investimentos pesados, mais de agilidade. A publicidade, essa, já começou a fugir.
PS - Os emissores no alto das serras serão, provavelmente já em 2015, apenas uma fotografia!»
October 19, 2007
«A rádio de nada»
Publicado em Meios & Publicidade, 28 de Setembro 2007
«Bruce Springsteen tem um novo disco; qual a rádio em Portugal que lançou a música de abertura? O jornal Correio da Manhã, através do seu site… (a propósito: a música chama-se «Radio Nowhere» e, já agora, circulava na Internet vários dias antes, sem necessidade de partilha de ficheiros).
Bjork, que também tem música nova, pediu aos fãs que criassem um vídeo para uma determinada música. Pediu ajuda à rádio, para promover essa interactividade? Há uns anos pediria; agora fê-lo directamente, através do seu site (e de outros, que replicaram a informação, no melhor marketing viral).
São más notícias para a rádio?
Nada comparado com aquilo que um estudo, recentemente publicado nos Estados Unidos, anuncia: no próximo ano o total de investimento publicitário feito directamente na Internet vai ultrapassar aquilo que é destinado à rádio (convencional). O estudo chama-se Radio Trends e tem a chancela da eMarketeer. Uma outra previsão, provavelmente menos rigorosa, da VSS, diz que já em 2011, naquele país, a Internet será o meio com mais publicidade.
Nos Estados Unidos, ainda, as audiências da rádio convencional continuam em queda e no Canadá – para não se falar sempre do mesmo – a associação patronal prevê, até 2010, uma quebra até 8,5 % no total de ouvintes.São más notícias para a rádio?
Claro que sim. Para a rádio que continua a pensar como há 10 ou 20 anos e que desconfia das potencialidades da Internet. A Mega FM anunciou há algumas semanas novidades. No seu site e nos conteúdos que oferece no site? Não. Continua a ter uma página que, no fundo, é apenas o suporte da emissão hertziana (sem conteúdos próprios, sem podcasts, sem arquivos, sem vídeos), mas anuncia novos animadores. Não chega, penso, para fazer descolar a Mega FM.
Numa das suas últimas crónicas no The Washington Post, o especialista em tecnologia Rob Pegoraro diz que algumas das suas estações de rádio preferidas não têm animadores. Rob gosta de ouvir o Pandora.com (só acessível nos EUA) e só admira que ainda lhe chame rádio.
E por cá?
Para além do, já aqui várias vezes criticado, conservadorismo geracional, os responsáveis pelas rádios mais importantes dormem confortavelmente com os números da Marktest – que dizem que não há quebras significativas de audiências e que os jovens (15-34 anos) representam quase 45% do total de ouvintes, além de ouvirem mais do que a média.Será Portugal um paraíso?
Actualmente, e entre os mercados relevantes, só conheço um, a Grã-Bretanha, que tem visto os seus ouvintes crescerem e tem tido sucesso com o DAB (atingiu recentemente os 12 milhões de ouvintes digitais, cerca de 25% do total). Mas em Portugal não houve revolução digital nem existe a BBC»
September 22, 2007
«A geração iPod não gosta da rádio»
«A geração iPod não gosta da rádio», Comunicação/powerpoint apresentada nas II Jornadas Internacionais de Jornalismo, Universidade Fernando Pessoa, Março 2007
