«A rádio em 2015 será uma página na net»
Publicado no Meios & Publicidade, 2/11/07
«Nesta altura, em diversos países, investigadores e representantes da indústria questionam-se sobre como será a rádio daqui a dez ou 15 anos. Existem mesmo projectos que têm o nome dos anos da projecção, 2012, 2015 ou 2020.
Como será a rádio em 2015?
Os alicerces da futurologia estão derrubados desde que a Internet se consolidou – a Internet foi o meio de comunicação mais rápido da história a atingir a barreira dos 50 milhões de consumidores. E já não há mais previsões tranquilas.
Há novas formas de emissão, novas formas de criar conteúdos, há novas formas de recepção, há novas formas de interagir com o emissor. Há uns anos uma pesquisadora brasileira escrevia que a Internet é o FM do século XXI. A questão é que, até à Internet, as poucas invenções que ajudaram a rádio influenciavam ou a emissão ou a recepção. A Internet muda tudo. Tudo junto – muda a rádio.
Há uns dias uma agência de informação de Nova Iorque anunciava que «Cada estação de rádio pode transformar-se numa estação de televisão», dando um sinal sobre algo que aqui tenho falado: a introdução de conteúdos primários, como o vídeo, deixou de ser exclusivo dos canais de televisão e está ao alcance de todos os operadores com ambição na comunicação. O Público não anunciou recentemente o aparecimento (ainda que tímido) de vídeo na sua página?
Mas não é essa a minha previsão: nem as rádios se vão transformar em televisões nem as televisões continuarão a sê-lo exclusivamente.
Serão necessários outros nomes (as gerações mais novas terão uma ideia muito diferente do que são os meios clássicos) e há que contar com múltiplos desenvolvimentos tecnológicos, provavelmente imprevisíveis, mas acredito que a rádio do futuro será sobretudo uma página na Internet (o mais parecido com aquilo que hoje chamamos de portal).
As páginas na Internet não serão todas iguais – e ainda bem. Se a emissão hertziana da rádio ainda for viável comercialmente, poderá haver aquilo a que nos EUA chamam de simulcasting; da mesma forma, os actuais canais de televisão poderão tentar tirar partido dessa emissão, em simultâneo com múltiplos canais de vídeo na Internet (emitindo em tempo real ou baseados em arquivos). Também os jornais poderão tentar tirar partido no sector em que são melhores, em que dominam o know how. Mas um jornal, independentemente da edição em papel – cada vez mais rara e, portanto, comercialmente inviável -, será uma página na net, com som, com vídeo, com arquivos, com ferramentas de personalização e potenciadoras de feed back.
Tudo estará na net, a começar pelos investimentos e a acabar nos consumidores, passando pela publicidade.
Ainda se chamará rádio? Mesmo sendo muito diferente daquilo que hoje conhecemos como rádio, ainda se continuará a chamar, provavelmente por inércia geracional. Mas a transformação será tão radical que novos conceitos irão aparecer; a mim, sobre isso, ninguém me ouvirá dar um palpite…
Estamos preparados em Portugal? Estamos – parece, finalmente – a acordar. As recentes notícias do grupo Renascença dando conta do lançamento de canais temáticos on line são um exemplo; mas são precisos mais investimentos nas páginas na Internet – com novos e diversos conteúdos, aumentando a capacidade de escolha e de personalização, facilitando a visualização e o interface com os consumidores. Nem sequer estamos a falar de investimentos pesados, mais de agilidade. A publicidade, essa, já começou a fugir.
PS - Os emissores no alto das serras serão, provavelmente já em 2015, apenas uma fotografia!»
