Publicado em Meios & Publicidade, 28 de Setembro 2007
«Bruce Springsteen tem um novo disco; qual a rádio em Portugal que lançou a música de abertura? O jornal Correio da Manhã, através do seu site… (a propósito: a música chama-se «Radio Nowhere» e, já agora, circulava na Internet vários dias antes, sem necessidade de partilha de ficheiros).
Bjork, que também tem música nova, pediu aos fãs que criassem um vídeo para uma determinada música. Pediu ajuda à rádio, para promover essa interactividade? Há uns anos pediria; agora fê-lo directamente, através do seu site (e de outros, que replicaram a informação, no melhor marketing viral).
São más notícias para a rádio?
Nada comparado com aquilo que um estudo, recentemente publicado nos Estados Unidos, anuncia: no próximo ano o total de investimento publicitário feito directamente na Internet vai ultrapassar aquilo que é destinado à rádio (convencional). O estudo chama-se Radio Trends e tem a chancela da eMarketeer. Uma outra previsão, provavelmente menos rigorosa, da VSS, diz que já em 2011, naquele país, a Internet será o meio com mais publicidade.
Nos Estados Unidos, ainda, as audiências da rádio convencional continuam em queda e no Canadá – para não se falar sempre do mesmo – a associação patronal prevê, até 2010, uma quebra até 8,5 % no total de ouvintes.São más notícias para a rádio?
Claro que sim. Para a rádio que continua a pensar como há 10 ou 20 anos e que desconfia das potencialidades da Internet. A Mega FM anunciou há algumas semanas novidades. No seu site e nos conteúdos que oferece no site? Não. Continua a ter uma página que, no fundo, é apenas o suporte da emissão hertziana (sem conteúdos próprios, sem podcasts, sem arquivos, sem vídeos), mas anuncia novos animadores. Não chega, penso, para fazer descolar a Mega FM.
Numa das suas últimas crónicas no The Washington Post, o especialista em tecnologia Rob Pegoraro diz que algumas das suas estações de rádio preferidas não têm animadores. Rob gosta de ouvir o Pandora.com (só acessível nos EUA) e só admira que ainda lhe chame rádio.
E por cá?
Para além do, já aqui várias vezes criticado, conservadorismo geracional, os responsáveis pelas rádios mais importantes dormem confortavelmente com os números da Marktest – que dizem que não há quebras significativas de audiências e que os jovens (15-34 anos) representam quase 45% do total de ouvintes, além de ouvirem mais do que a média.Será Portugal um paraíso?
Actualmente, e entre os mercados relevantes, só conheço um, a Grã-Bretanha, que tem visto os seus ouvintes crescerem e tem tido sucesso com o DAB (atingiu recentemente os 12 milhões de ouvintes digitais, cerca de 25% do total). Mas em Portugal não houve revolução digital nem existe a BBC»
